Já faz algum tempo que venho pensando sobre vários aspectos à respeito da iniciativa de Software Livre e me perguntando, o como, porque e quem realmente faz parte da comunidade de Software Livre. Sou apaixonado e ao mesmo tempo fico fascinado com a quantidade de coisas que encontramos e com as pessoas que nós conhecemos dentro desta comunidade, mas o problema é que mais do que isso do que “felizes”, muitas vezes ficamos chateado em ver a quantidade de pessoas que se dizem, amantes do software livre ou apenas se consideram “simpatizantes” desta iniciativa e não querem ou às vezes, nem pensam em retribuir tudo aquilo que eles já usufruíram algum dia.

Esse texto não é apenas uma crítica à esse tipo de pessoas que mencionei acima, é também um desabafo de algo que venho percebendo há muito tempo e precisava expor isso de alguma maneira, mas também ao mesmo tempo, para aqueles que estão lendo este no momento, refletirem um pouco.

Que atire a primeira pedra aquele que nunca utilizou uma biblioteca ou até mesmo um trecho de código feito por algum outro programador. Sou desenvolvedor há 7 anos e desde que comecei à desenvolver comecei pegando código alheio, seja para aprender com o que foi feito ali ou até mesmo para usá-lo em algum sistema que eu estivesse desenvolvendo.

Mas aí chega o troll e lhe diz: “Mas Lucas, eu gosto de fazer todos os meus códigos, eu desenvolvo tudo na mão”. Meu amigo, eu tenho certeza absoluta que você faz uso de no mínimo um framework, ah, e se não faz, acho que pelo menos alguma de suas ferramentas, seja seu sistema operacional, sua IDE ou até mesmo a linguagem que você está usando pode ser de código livre, certo ? Então, tecnicamente você está usufruindo de algo da iniciativa de Software Livre.

Não amigo, não estou lhe dizendo que você não pode usar, pelo contrário, eu lhe incentivo à continuar usando, use, use, use, use o quanto quiser, ah, e se quiser usar outras coisas como frameworks, bibliotecas, IDEs, debuggers, versionamento, tudo, use com todo o prazer deste mundo, afinal, foi para isso que eles foram criados e disponibilizados sem qualquer licença proprietária.

Mas e quando você estiver desenvolvendo as regras de negócio do seu sistema e você precisar de uma biblioteca que faça foo e não encontrá-la na web? Ótimo, você irá desenvolver, mas sabe também que esta mesma também pode ser útil para outros desenvolvedores, então, porque não disponibilizá-la sob alguma licença open source? Temos tantas, para gostos e gostos, você pode permitir o que você quiser, pode impedir o que você quiser, basta você escolher aquela que mais se adequa à você e à seu projeto.

Por fim, você, leitor, desenvolvedor, que usa tecnologias livres, reflita sobre isso, pois me chateia cada vez que ouço uma pessoa que usufrui de tecnologias livres dizer que o código que ela desenvolveu é dela e não quer que ninguém copie, além disso, alguns ainda usam a frase anterior da seguinte forma: não quero que ninguém roube o meu código, amigo, roubar é uma palavra muito forte, não se esqueça de você também usufrui destas de alguma forma.

Software is like sex, it’s better when it’s free. — Torvalds, Linus